uMA ENCANTADA CHUVA DE ESTRELAS PARA TODOS OS VISITANTES...

ANJOS...

Sou anjo e como tal sou um simples veículo, sou falho tenho erros e como anjo também tenho sentimentos. Não sou perfeito e nem o correto, apenas defendo minhas súplicas de coerências. Na vida podemos ser anjos, demônios ou apenas fantasmas de nós mesmos, sem personalidade definida, sem anceios ou apenas ser uma mutação constante em tamanha força universal. Quem me dera não ser anjo, ser só eu e não sustentar essas assas que sempre me fazem voar, ir além daquilo que ocorre, que me faz tirar os pés do chão. Não reclamo das assas e sim de meus voos, de minhas idas e vindas, das ecolhas e dos cenários, dos palcos e das muitas peças assistidas e encenadas. Um dia sim deixo de ser anjo, deixo de sair do chão, de pensar em futuros e ver além da projeção da alma, do corpo e também do espírito. Se não for mais anjo não perderei a luz nem as assas, apenas terei realizado os meus sonhos...

Ronelis.





ANJOS REBELDES...

Somos aqueles que devem sentir
Somos aqueles que devem entender
Somos aqueles que sabem mentir
Somos aqueles que sabem viver
Anjos rebeldes quem somos nós?
estrangeiros nesse mundo tão veloz
Anjos rebeldes quem
somos nós?
Somos forasteiros num mundo feroz
O mundo gira, estamos ao redor
Tudo termina somos imortais
Somos mortais, verdadeiros marco-heróis
Tudo conspira contra nós
Somos aqueles que querem fugir
Somos aqueles que devem lembrar
Somos aqueles que fazem esquecer
Somos aqueles que sabem voar
Anjos rebeldes quem somos nós?
Somos estrangeiros nesse mundo tão veloz
Anjos rebeldes quem somos nós?
Somos forasteiros num mundo feroz
O mundo gira, estamos ao redor
Tudo termina somos imortais
Somos mortais, verdadeiros marco-heróis
Tudo conspira contra nós
Quem somos nós?

Kátia Kelly.

A CANÇÃO QUE UM ANJO ME DEU...

Hoje a noite se fez longa,

Aqui a lua não veio,
Aqui a saudade comanda


Na madrugada azul
Seu sorriso desenhado
no infinto céu desnudo...


Dentro do peito sem jeito
Passeia a voz de um lamento


É a canção que fala do beijo,
É um som trazido no vento


Que inflama num doce desejo
Que deixa um espaço no tempo


Que rouba um suspiro meu
Que faz transparente o momento

Na canção que um anjo me deu...

Juan Luis Guerra.

ANJOS...

Perguntaram-me,
o que são anjos?
São seres mágicos, puros, perfeitos.
Elos de ligação com o Criador.
Cada pessoa tem seu guardião.
Chamados nos momentos de dificuldade,
estão sempre prontos a interceder
por quem faz a oração.
Aparecem do nada,
nas horas de maior precisão.
- Possuem asas ou auréolas?
São masculinos ou femininos?
Que forma eles têm?
Tem forma de amigo,
telefonam e mandam e-mail
e alguns trabalham comigo.
Se também sou anjo?
Sim, às vezes.
É receita fácil e sem pretensão:
Amar, não ter preguiça de ajudar,
agir com alma, com coração.

Anna Melo



Eu choro com os anjos que caem,

à noite sem que ninguém os veja,
Eu choro com os anjos
à noite sem que ninguém nos ouça.
Talvez por dor,talvez por solidão...
Anjos choram na escuridão do abismo
que eu mesma criei com o tempo.
Nossas lágrimas viraram cinzas
e eu posso sentir você tentar controlar o medo,
posso sentir você tentar se aproximar
passo á passo,mesmo sem poder vê-lo...
Você sabe que eu posso sentir
parecendo ser tão real.
Os anjos choram à noite;
na chuva...
O vento frio do inverno leva tudo embora outra vez.
sem arrependimentos,sem compaixão.
Os anjos choram
tentando ser um só
e as lágrimas nos unem
porque queremos ser um só
Mas nada dura para sempre,
nem mesmo o abismo que nos distanciou
por estarmos sozinhos,
por chorarmos juntos
como se fossemos um só.

Natália Ribeiro.

SAUDADES DE NADA...

Tenho muitas saudades, imensas
Tantas que ninguem pode imaginar...
Vivo assim submersa em pensamentos longiquos
Penso em nada, nesse nada que e a minha vida
Entao sinto saudades do nada que era a minha vida
Um nada diferente desse que vivo hoje
Era um nada de dar saudades,
Entao eu sinto saudades dos amigos que nao tive
Dos amores que nunca vivi, lembranca que nao cultivo
Tenho saudades, muitas saudades
De nunca ter vivido...nem sequer sonhado
E me pergunto de onde vem tantas saudades assim
Francamente, nao sei
Mas a verdade e que vivo assim
Sempre com saudades de nada.

Lyah dos Anjos

DESENCANTO...

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.


nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.

Manuel Bandeira. 

DOR...



Não sei de onde vem esta dor pungente



dilacerando a alma.


Dói.


Sangra o coração.


—Será que sofro assim por querer-te


e me encontrar na solidão?...

Fernanda Benevides. 









esta vida é uma viagem
pena eu estar
só de passagem

Paulo Leminski





ASAS E AZARES...


Voar com a asa ferida?

Abram alas quando eu falo.
Que mais foi que fiz na vida?
Fiz, pequeno, quando o tempo
estava todo ao meu lado
e o que se chama passado,
passatempo, pesadelo,
só me existia nos livros.
Fiz, depois, dono de mim,
quando tive que escolher
entre um abismo, o começo,
e essa história sem fim.
Asa ferida, asa ferida,
meu espaço, meu herói.
A asa arde. Voar, isso não doi.

Paulo leminski

SOLIDÃO...

Eu me examino na solidão ,
abro todos os contatos
comigo mesmo


Quantas vezes me envaideço ,
outras tantas me entristeço ,
com a visão que tenho de mim.


Ouço os ruídos da rua
que me arranham o corpo ,
que me ferem os tímpanos ,
que me apertam a cabeça
quando estou posto em solidão .
Os ruidos são tão claros
quanto escura a percepção
de mim mesmo . 


Solidão é guerrear sem armadura ,
fazendo do coração a bomba
e da cabeça ,em riste , a lança .


Solidão , como te evito ,
solidão como te quero .

Paulo F. cunha

ALONE...

From childhood's hour I have not been
As others were; I have not seen
As others saw; I could not bring
My passions from a common spring.
From the same source I have not taken
My sorrow; I could not awaken
My heart to joy at the same tone;
And all I loved, I loved alone.
Then- in my childhood, in the dawn
Of a most stormy life- was drawn
From every depth of good and ill
The mystery which binds me still:
From the torrent, or the fountain,
From the red cliff of the mountain,
From the sun that round me rolled
In its autumn tint of gold,
From the lightning in the sky
As it passed me flying by,
From the thunder and the storm,
And the cloud that took the form
(When the rest of Heaven was blue)
Of a demon in my view.

Edgar Allan Poe.

SIM, SEI BEM...






Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.

FERNANDO PESSOA.

TUDO QUANTO PENSO...

Tudo quanto penso,
Tudo quanto sou
É um deserto imenso
Onde nem eu estou..


Extensão parada
Sem nada a estar ali,
Areia peneirada
Vou dar-lhe a ferroada
Da vida que vivi.

(...)

11/03/1935 FERNANDO PESSOA.

POEMAS CURTOS...

O som continuo da chuva
A se ouvir lá fora bem
Deixa-nos a alma viúva
Daquilo que já não tem.

(...)

1934 FERNANDO PESSOA

QUERO SER LIVRE...

Quero ser livre insincero
 Sem crença, dever ou posto.
Prisões, nem de amor as quero.
Não me amem, porque não gosto.


Quando canto o que não minto
E choro o que sucedeu,
É que esqueci o que sinto
E julgo que não sou eu.


De mim mesmo viandante
Olho as músicas na aragem,
E a minha mesma alma errante
É uma canção de viagem.

26/08/1930 FERNANDO PESSOA.

DORMIR UM POUCO...

Dormir um pouco — um minuto,
um século. Acordar
na crista
duma onda, ser
o lastro de espuma
que há no sono
das algas. Ou
ser apenas
a maré, que sempre
volta
para dizer: eu não morri, eu sou
a borboleta
do vento, a flor
incandescente destas águas.

 Albano Martins

OS ANJOS...

Hoje não dá
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar


Hoje não dá
Hoje não dá
A maldade humana agora não tem nome
Hoje não dá


( Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
Às dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça: antes de levar ao forno
Temperar com essência de espírito de porco
Duas xícaras de indiferença
E um tabelete e meio de preguiça )


Hoje não dá
Hoje não dá
Está um dia tão bonito lá fora
E eu quero brincar
Mas hoje não dá
Hoje não dá
Vou consertar a minha asa quebrada
E descansar.
Gostaria de não saber destes crimes atrozes
É todo dia agora e o que vamos fazer ?
Quero voar prá bem longe mas hoje não dá
Não sei o que pensar e nem o que dizer
Só nos sobrou do amor
A falta que ficou.

Renato Russo

A NATUREZA DOS ANJOS...

Na casa, o coração era a lareira
e perto, eu descansava os pés gelados.
Não pude achar lembrança mais acesa:
lareira e pés. Sorri - fechava os olhos.


A vista curta de visão extensa - fogo;
a visão curta da vida extensa - negro.
As pálpebras contidas soluçavam.
Lá fora o vento frio uivava assombro.


Os olhos refletiam as labaredas,
as lágrimas ardiam manchas negras.
O fogo era maior fora de mim...
me lembro muito bem que há tanto fora.


Um dia foste parte do brinquedo.
É mesmo séria a história sobre os anjos?
Não posso dormir mesmo sem camisa?
O fogo me guardava - era preciso.


E tinha duas sombras o tapete.
Que voz ouvi atento, e fiquei quieto.
Que as asas não comportam ser tão leve,
os anjos não têm corpo e nem têm forma:


Que quando neste mundo quem precisa
amparo e afeto nos teus ombros
e só por isto torna-te alegria
e a alma é como um fogo que não queima,


um anjo tomou conta do teu corpo
e fez pousada. E dele são teus atos.
Mas anjos não têm asas, é verdade,
portanto não se pode haver quem tolha.


E vai-se embora em busca de outro vivo.
(Mas dizem que, não raro, ele demora
o tempo que demora a vida inteira;
a etérea substância se confina).


Jaumir Valença da Silveira

O ORVALHO...

Nas flores mimosas, nas folhas virentes
Da planta, do arbusto, que surge do chão,
Reúnem-se as gotas do orvalho nitentes,
Tombadas à noite da aérea soidão.


Provindas dos ares, dos astros caídas
Em globos argênteos de um puro brilhar,
Descansam nas flores, às plantas dão vida,
Remontam-se aos astros, erguendo-se ao ar.


A luz das estrelas, do vidro mais fino
O trêmulo, incerto, brilhante luzir,
Não tem mor beleza, fulgor mais divino,
Nem pode mais claro, mais belo fulgir.


E o sol, que rutila no manto dourado,
Feitura sublime das nuvens do céu,
Beijando estas gotas com um beijo inflamado,
Desfaz tais prodígios nos beijos que deu.


Quem foi que as vertera, quem foi que as chorara?
Quem, límpido orvalho, do céu vos lançou?
Quem pôs sobre a terra beleza tão rara?
Quem foi que nos ares o orvalho formou?

Dos anjos, que outrora baixaram da esfera,
Morada longínqua dos anjos de Deus,
São prantos o orvalho, que o amor os vertera,
Depois que perdidos volveram-se aos céus.


Baixados à terra sedentos de amores
Gozaram delícias de um breve durar;
Depois em lembrança dos tempos melhores
Os anjos à noite costumam chorar.


E o pranto saudoso dos olhos vertido
Converte-se em chuva de fino cristal;
Procura das flores o cálice querido,
Recai sobre as plantas do monte ou do val.


E os anjos sozinhos vagueiam no espaço,
Buscando as imagens, que o céu lhes roubou,
Seguidos das nuvens, do lúcido traço,
Que o brilho das asas tras eles deixou.


E a voz, que dos lábios lhes sai suspirante,
Semelha um queixume pungente de dor;
E o ar, que circula girando incessante,
Repete os suspiros só filhos do amor.


Em vão tais suspiros, tão tristes endeixas,
Pesares tão fundos são todos em vão!
Ninguém os escuta; carpidos ou queixas
Vai tudo sumido na etérea soidão.


E os anjos, que outrora viveram de amores,
Gozando delícias de extremos sem-par,
Saudosos relembram seus tempos melhores,
E tem por consolo seu triste chorar.


E o pranto saudoso dos olhos vertido
Converte-se em chuva de fino cristal,
Procura das flores o cálice querido,
Recai sobre as plantas do monte ou do val.

Gentil Braga.