AMOR MÍSTICO...
Amor Místico Quando a minha alma nasceu Para onde olhou primeiro,
E viu tudo um nevoeiro,
Foi lá cima para o céu...
Que a alma nunca lhe passa
De ideia a fonte da graça!
Em toda a ânsia de luz,
Em toda a ânsia de gozo,
Sempre aquele olhar ansioso
Nesse ideal de Jesus...
Nesse bem que não se exprime...
Êxtase de amor sublime!
Olhava da solidão,
Onde se sentia presa,
Com a natural tristeza
Dos ferros de uma prisão...
À espera sempre da hora
Que lhe raiasse a aurora!
Bem a chamavam de cá
Sempre os cuidados do dia;
Ela, que nunca os ouvia,
Olhava, mas para lá...
Donde ela mesmo viera,
Donde todo o bem se espera!
Um dia (nem eu sei qual,
Que em suma foi isso há tanto!)
Vê com uns olhos de espanto
Romper-se a névoa geral;
E como um sol recortado
Nesse mar enevoado...
E dentro desse clarão,
Como em círculo de prata,
Que imagem se lhe retrata,
Fosse verdade ou visão?
A mesma que ela apertava
Nos braços quando sonhava.
Mas a visão, em lugar
De vir cair-lhe nos braços,
Voa por esses espaços
Até já mal se avistar...
Indo assim a luz minguando
E indo-se a névoa cerrando!
E hoje a minha alma, não sei
Se nessa névoa cerrada
Vê tal visão embrulhada
Ou nem já vestígios vê...
Sei que se ainda me anima,
É de olhos fitos lá cima.
João de Deus
SAUDADE...
Ter saudade
é vaga disforme de um corpo.
Ter saudade
é pássaro que aparece e se apaga
erguido de confusão
na angústia, teste dado à natureza
bruxuleante dentro de mim.
Ter saudade
é fingir qualquer coisa que inquieta,
levantada, desenterrada do crivo da memória.
Por vezes quando o tempo por ela passa
não passa o tempo da saudade,
estátua rígida dum destino anoitecido,
passa um nada meio acontecido.
Saudade,
é filha da alma do mundo
que de tanto ser outro
sou eu já.
Saudade,
porque viajas cansada
em horas dentro de mim?
Saudade
que vieste até à última força desta linha,
brumosa da eterna caminhada.
Sempre que vieres
sem avisares
leva-me contigo
para que a paz volte
à memória de meu corpo
como o rio que passa
no tempo final da minha natureza.
Carlos Melo Santos
é vaga disforme de um corpo.
Ter saudade
é pássaro que aparece e se apaga
erguido de confusão
na angústia, teste dado à natureza
bruxuleante dentro de mim.
Ter saudade
é fingir qualquer coisa que inquieta,
levantada, desenterrada do crivo da memória.
Por vezes quando o tempo por ela passa
não passa o tempo da saudade,
estátua rígida dum destino anoitecido,
passa um nada meio acontecido.
Saudade,
é filha da alma do mundo
que de tanto ser outro
sou eu já.
Saudade,
porque viajas cansada
em horas dentro de mim?
Saudade
que vieste até à última força desta linha,
brumosa da eterna caminhada.
Sempre que vieres
sem avisares
leva-me contigo
para que a paz volte
à memória de meu corpo
como o rio que passa
no tempo final da minha natureza.
Carlos Melo Santos
VISÃO....
Eu vi o Amor — mas nos seus olhos baços
Nada sorria já: só fixo e lento
Morava agora ali um pensamento
De dor sem trégua e de íntimos cansaços.
Pairava, como espectro, nos espaços,
Todo envolto n'um nimbo pardacento...
Na atitude convulsa do tormento,
Torcia e retorcia os magros braços...
E arrancava das asas destroçadas
A uma e uma as penas maculadas,
Soltando a espaços um soluço fundo,
Soluço de ódio e raiva impenitentes...
E do fantasma as lágrimas ardentes
Caíam lentamente sobre o mundo!
Antero de Quental
Nada sorria já: só fixo e lento
Morava agora ali um pensamento
De dor sem trégua e de íntimos cansaços.
Pairava, como espectro, nos espaços,
Todo envolto n'um nimbo pardacento...
Na atitude convulsa do tormento,
Torcia e retorcia os magros braços...
E arrancava das asas destroçadas
A uma e uma as penas maculadas,
Soltando a espaços um soluço fundo,
Soluço de ódio e raiva impenitentes...
E do fantasma as lágrimas ardentes
Caíam lentamente sobre o mundo!
Antero de Quental
VERSOS DE ORGULHO...
O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém!
Porque o meu Reino fica para Além!
Porque trago no olhar os vastos céus,
E os oiros e os clarões são todos meus!
Porque Eu sou Eu e porque Eu sou Alguém!
O mundo! O que é o mundo, ó meu amor?!
O jardim dos meus versos todo em flor,
A seara dos teus beijos, pão bendito,
Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...
São os teus braços dentro dos meus braços:
Via Láctea fechando o Infinito!...
Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"
Tem asas como eu tenho! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém!
Porque o meu Reino fica para Além!
Porque trago no olhar os vastos céus,
E os oiros e os clarões são todos meus!
Porque Eu sou Eu e porque Eu sou Alguém!
O mundo! O que é o mundo, ó meu amor?!
O jardim dos meus versos todo em flor,
A seara dos teus beijos, pão bendito,
Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...
São os teus braços dentro dos meus braços:
Via Láctea fechando o Infinito!...
Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"
ANJOS, POEMAS E BORBOLETAS...
Ora vejam, que apalermada!
Escapuliu-me um poema...
Deixei que batesse asas
como uma borboletinha
Borboletas são como anjos
E anjos são poesia
Estão aqui em algum lugar
Anjos são rarefeitos
Raros e perfeitos
como idéias e palavras
Luminescência sutil
difícil de enxergar
Mas voam...
Voam mas...
Voltam...
E quando enfim retornarem
estarei bem mais esperta
Capturarei sem alanhar
borboletas e poesias no céu
feito criança a brincar
Transcenderei e transformarei poemas
em anjos de papel...
Rossana Masiero
Escapuliu-me um poema...
Deixei que batesse asas
como uma borboletinha
Borboletas são como anjos
E anjos são poesia
Estão aqui em algum lugar
Anjos são rarefeitos
Raros e perfeitos
como idéias e palavras
Luminescência sutil
difícil de enxergar
Mas voam...
Voam mas...
Voltam...
E quando enfim retornarem
estarei bem mais esperta
Capturarei sem alanhar
borboletas e poesias no céu
feito criança a brincar
Transcenderei e transformarei poemas
em anjos de papel...
Rossana Masiero
SE EU FOSSE UM ANJO...
Se eu fosse um anjo,
brincaríamos nas nuvens
e eu as transformaria em algodão doce,
ou em flocos de espuma
para você sorrir de alegria,
admirar "meu dom"
para, enfim, você gostar só de mim.
Se eu fosse um anjo,
tomaríamos sorvete de morangos celestiais
nas taças de ouro das fadas
com biscoitinhos de paz
e creme de "quero mais"!
Com as estrelas, brilharíamos nas flores,
nas cores, nos mares,
em todos os lugares... Dançaríamos ao vento,
ouviríamos as histórias da chuva,
teceríamos as franjas do tempo
e cantaríamos a "CANÇÃO DA HARMONIA UNIVERSAL".
Se eu fosse um anjo,
seqüestraria você para o Céu!
Viríamos à Terra
apenas a passeio ou em missão.
Se eu fosse um anjo,
faria você também um anjo
e flutuaríamos no éter, no ar...
Nos vestiríamos de poesia,
faríamos amor ao luar!...
Nem sei se você ainda pensa em mim...
Mas se eu fosse um anjo,
Tudo seria diferente:
faria de você também um anjo
e você me amaria eternamente!
Clara Luz.
brincaríamos nas nuvens
e eu as transformaria em algodão doce,
ou em flocos de espuma
para você sorrir de alegria,
admirar "meu dom"
para, enfim, você gostar só de mim.
Se eu fosse um anjo,
tomaríamos sorvete de morangos celestiais
nas taças de ouro das fadas
com biscoitinhos de paz
e creme de "quero mais"!
Com as estrelas, brilharíamos nas flores,
nas cores, nos mares,
em todos os lugares... Dançaríamos ao vento,
ouviríamos as histórias da chuva,
teceríamos as franjas do tempo
e cantaríamos a "CANÇÃO DA HARMONIA UNIVERSAL".
Se eu fosse um anjo,
seqüestraria você para o Céu!
Viríamos à Terra
apenas a passeio ou em missão.
Se eu fosse um anjo,
faria você também um anjo
e flutuaríamos no éter, no ar...
Nos vestiríamos de poesia,
faríamos amor ao luar!...
Nem sei se você ainda pensa em mim...
Mas se eu fosse um anjo,
Tudo seria diferente:
faria de você também um anjo
e você me amaria eternamente!
Clara Luz.
SEU ANJO SABE....
Por esforços que não deram frutos
Seu Anjo sabe o quanto você tentou..
Quando você chorou por longo tempo
Com o coração cheio de angústia
Ele contou suas lágrimas...
Se você sente que sua vida está perdida
E que muito tempo também se perdeu,
Ele está confortando você...
Quando você está solitário
E seus amigos estão muito ocupados
Para um simples telefonema,
Ele acompanha você..
Quando você sente que já tentou de tudo
E não sabe por onde recomeçar,
Ele tem a solução...
Quando nada mais faz sentido
E você se sente frustrado e deprimido,
Ele tenta lhe mostrar respostas...
Se de repente
Tudo lhe parece mais brilhante
E você percebe uma luz de esperança,
Nesse momento,
Ele soprou nos seus ouvidos...
Quando as coisas vão bem
E você tem muito para agradecer,
Ele está festejando com você..
Quando algo lhe traz muita alegria
E você se sente refortalecido,
Ele está sorrindo para você...
Quando você tem um propósito a cumprir E um sonho para seguir,
Ele abre seus olhos e o chama pelo nome...
Lembre-se de que onde você estiver
Seja na tristeza ou na felicidade,
Mesmo que ninguém mais saiba,
Seu Anjo sabe.."
[Autor Desconhecido].
VOZ QUE SE CALA...
Amo as pedras, os astros e o luar
beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.
Amo a hera que entende a voz do muro
E dos sapos, o brando tilintar
De cristais que se afagam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.
Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!
Asa que nos protege a todos nós!
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e mísero Destino!...
Florbela Espanca.
beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.
Amo a hera que entende a voz do muro
E dos sapos, o brando tilintar
De cristais que se afagam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.
Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!
Asa que nos protege a todos nós!
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e mísero Destino!...
Florbela Espanca.
ANJO AMIGO...
Só tu tens o dom de me fazer feliz
Tu és a razão do meu viver
És tudo que eu sempre quis
Minha luz, meu caminho, meu querer
A imagem de um anjo que desce
Que me ilumina, em todas as direções
E nas noites de frio me aquece
Ouço sua voz nas canções
Um anjo do céu que escolheu
A minha alma entre outras mil
O mundo todo ele me deu
E meu coração assim o sentiu
A Lua e as Estrelas, todas minhas
O Sol e o Mar em sua imensidão
Os Montes e a Estrada por onde caminhas
Não há tristeza, nem escuridão
Meu anjo, feliz eu sou contigo
E foi Deus que um dia escreveu
Que em você acharia um amigo
Que acharia meu destino, meu eu.
(Clarissa Watanabe)
Tu és a razão do meu viver
És tudo que eu sempre quis
Minha luz, meu caminho, meu querer
A imagem de um anjo que desce
Que me ilumina, em todas as direções
E nas noites de frio me aquece
Ouço sua voz nas canções
Um anjo do céu que escolheu
A minha alma entre outras mil
O mundo todo ele me deu
E meu coração assim o sentiu
A Lua e as Estrelas, todas minhas
O Sol e o Mar em sua imensidão
Os Montes e a Estrada por onde caminhas
Não há tristeza, nem escuridão
Meu anjo, feliz eu sou contigo
E foi Deus que um dia escreveu
Que em você acharia um amigo
Que acharia meu destino, meu eu.
(Clarissa Watanabe)
AQUELA TRISTE E LEDA MADRUGADA...
Aquela triste e leda madrugada,
cheia toda de mágoa e de piedade,
enquanto houver no mundo saudade
quero que seja sempre celebrada.
Ela só, quando amena e marchetada
saía, dando ao mundo claridade,
viu apartar-se de üa outra vontade,
que nunca poderá ver-se apartada.
Ela só viu as lágrimas em fio,
de que uns e outros olhos derivadas
acrescentaram em grande e largo rio.
Ela viu as palavras magoadas
que puderam tornar o fogo frio,
e dar descanso às almas condenadas.
Luis de Camões
cheia toda de mágoa e de piedade,
enquanto houver no mundo saudade
quero que seja sempre celebrada.
Ela só, quando amena e marchetada
saía, dando ao mundo claridade,
viu apartar-se de üa outra vontade,
que nunca poderá ver-se apartada.
Ela só viu as lágrimas em fio,
de que uns e outros olhos derivadas
acrescentaram em grande e largo rio.
Ela viu as palavras magoadas
que puderam tornar o fogo frio,
e dar descanso às almas condenadas.
Luis de Camões
VAI-TE POESIA...
Vai-te, Poesia!
Deixa-me ver a vida
exacta e intolerável
neste planeta feito de carne humana a chorar
onde um anjo me arrasta todas as noites
para casa pelos cabelos
com bandeiras de lume nos olhos,
para fabricar sonhos
carregados de dinamite de lágrimas.
Vai-te, Poesia!
Não quero cantar.
Quero gritar!
José Ferreira Gomes
AH, QUANTA MELANCOLIA...
Quanta, quanta solidão!
Aquela alma, que vazia,
Que sinto inútil e fria
Dentro do meu coração!
Que angústia desesperada!
Que mágoa que sabe a fim!
Se a nau foi abandonada,
E o cego caiu na estrada -
Deixai-os, que é tudo assim.
Sem sossego, sem sossego,
Nenhum momento de meu
Onde for que a alma emprego -
Na estrada morreu o cego
A nau desapareceu.
Fernando Pessoa
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